domingo, 2 de dezembro de 2007

... que tinha cheiro de infância: deu voltas pelo ouvido, mas o que é. Tornou-se entanguido, é como dizer "eu não te alcanço", permanecendo os olhos dubitativos, "não entendo de mulher". E se remediasse, "não é mulher, é céu", os olhos dessa feita relembrariam: "existia um céu, era tarde, as cigarras cantavam e o júbilo era pôr as cascas nos cabelos das moças". Mas se fosse relato de reiterar uma vida de si para si, que saída seria, "toma, me dou". Pensaria que era salacidade ou pureza? E se não ocorre um pensamento, consentindo? "Sim, se dá". Os olhos embebidos da novidade arriscam um novo lume, nasceram agora (antes dormiam ou abriam retesados, para lá e para cá, uma mosca presa ao copo). "É um gosto ressabido a saliva, deluso". Sem subterfúgios, não são flores, têm carne e movimento de quem não balança ao ar. Não fosse a escuridão e o silêncio, jamais se encontrariam.

11/2005