domingo, 16 de março de 2008

alguém me canta lullaby, enquanto costuro lembranças na superfície dos dedos.

sábado, 15 de março de 2008

se venho aqui é pela falta de chão, entende? em todo final de. ninguém sabe sobre o silêncio. não adianta ir a um mar nebuloso. uma beirada de sol. a mãos pequenas. à relevância do existir. veja bem, creio absurdamente no bálsamo, no cheiro de camomila que atrai borboletas. mas nunca em uma beleza maior: carrego a paz num confessionário de solidão.

sábado, 8 de março de 2008

quaisquer olhos me emocionam.
tenho confusões e luzes retas para me entreter. e, mesmo com esse olhar fixo de ventilador, não sei me desviar de mim.

domingo, 2 de março de 2008

de todos os hematomas duvidosos, circundo o mais improvável ao imaginar qual rastro segui naquelas horas de sal. a ardência é quase uma abstração enquanto o dedo dá voltas em bordas frágeis. em verdade, porque moradias flutuantes propiciam vôos, naturalmente.

a maldita transitoriedade arranca a golpes essa comoção - e a expõe no ar.
"Mas também, às vezes, a Noite é outra: sozinho, em postura de meditação (será talvez um papel que me atribuo?), penso calmamente no outro, como ele é: suspendo toda interpretação; o desejo continua a vibrar (a obscuridade é transluminosa), mas nada quero possuir; é a noite do sem-proveito, do gasto sutil, invisível: estoy a oscuras: eu estou lá, sentado simples e calmamente no negro interior do amor. "

R. Barthes