quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

desejava encerrar, como o faz a folhinha do calendário.

sábado, 18 de outubro de 2008

não cairei no assombro como o irmão que irremediavelmente pende para o lado de lá, enquanto o resto da família cheira à algodão-doce. quedarei roendo as unhas presunçosa durante a programação domingueira. exercícios sincronizados às 7h. serei uma descrente devotada aos rituais. consertarei a coluna com um livro na cabeça para me candidatar à miss simpatia 2009. no meu diário, planos de casamento e barrigas cheias. cômodas sem pó, cantos sem teias. afinal, o sol nasce pra todos.

ah, o livre-arbítrio.

domingo, 5 de outubro de 2008

a aparente incongruência residia em fechar-se a aproximações e sentir-se vulnerável a quaisquer, sobretudo se sem metas. mas sabia de seu objeto, o sonho, a partir do qual todos os outros reduziam-se à curiosidade, se tanto. assim que nunca seria serena se pretendesse ser eficaz. o que queria estava à mão vez ou outra. porém, sempre possível, ao menos que percorresse neblina espessa dando-lhe créditos de conteúdo.
sim: coisas, intenções, silêncio.

não: pessoas, gestos, fala.

domingo, 21 de setembro de 2008

quando não há retenções, evita-se olhar olhos para que nenhum momento ou brilho seja capturado por empatias insalubres.
congelar-se salva tantas fivrolidades imprescindíveis para o pouco espírito, que é mesmo um caso universal.
pode ser que dure até à vista de folhas ruivas a cobrir mil vidas minúsculas. assim é que dizemos que as pessoas cansam. ou até um encontro que alivie: aí, a crença em palavras, tanto para o não quanto para aceitá-las.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

do sorriso de olho

os erros que afastam nunca mancharam o suficiente a sua alma - que eu amo em tanta ausência.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

desceu as escadas em vigia, até notar que o andar não se conectava com seu processo (passado-presente-futuro). numa roupagem antiga, se percebeu minúsculo - e só. riu muito, porque as pequenas coisas necessitam cultivo (sentiu uma ternura; era o momento de se abraçar). por que continuar? sim, a vida seguia à frente de si, do material sem nobreza (a introjeção dos espasmos pragmáticos não enchem todas as almas). mas o vento é um prelúdio (a cura).

as cores tendem à luz quando se cai, pensou.

domingo, 13 de julho de 2008

consigo alcançar o caos em menos de 5 minutos. pretendia sentir até à exaustão, mas meus laços nunca foram leves.

domingo, 6 de julho de 2008

sei que é a hora da lentidão surda de mim. são dias mornos, de carícias de pé no chão-terra e luz sempre amarela. me lembro de algo que inventei. imagino que tudo vibra e fico tonta: exige muito pensar que é só amor.

terça-feira, 20 de maio de 2008

meus gestos são vagos, porque tudo me é tão indiferente quanto urgente. enquanto o espero, finjo notar o tempo. erigir discursos e transitar incólume: minhas atividades mais diletantes.

gostaria que visse que sou uma fraude. que, além de vulgarmente estar no lugar errado, tenho sentimentos errados. não me fale de maniqueísmo. ainda agora posso me tocar como se esperasse. e não espero.

ontem à noite me esqueci e dormi sorrindo.

sábado, 3 de maio de 2008

no chão do Invisível, os pés se abrem. se tornam senhores quando, num impulso, alados.

e para trás: rasgos, espirais de decadência, borrões e elos perpétuos.

sábado, 19 de abril de 2008

não perder quando se perde e saber que nada se ganha: um ser sozinho, comprometido com sua individualidade, é patético, mais que a inexistência desse caso. se eu sou a cabeça adulta abaixada, entre as mãos, fica retido ali não somente um pedaço, mas todas as minhas intenções.

e que gelo fosse, justiça fosse : um final comum.

domingo, 16 de março de 2008

alguém me canta lullaby, enquanto costuro lembranças na superfície dos dedos.

sábado, 15 de março de 2008

se venho aqui é pela falta de chão, entende? em todo final de. ninguém sabe sobre o silêncio. não adianta ir a um mar nebuloso. uma beirada de sol. a mãos pequenas. à relevância do existir. veja bem, creio absurdamente no bálsamo, no cheiro de camomila que atrai borboletas. mas nunca em uma beleza maior: carrego a paz num confessionário de solidão.

sábado, 8 de março de 2008

quaisquer olhos me emocionam.
tenho confusões e luzes retas para me entreter. e, mesmo com esse olhar fixo de ventilador, não sei me desviar de mim.

domingo, 2 de março de 2008

de todos os hematomas duvidosos, circundo o mais improvável ao imaginar qual rastro segui naquelas horas de sal. a ardência é quase uma abstração enquanto o dedo dá voltas em bordas frágeis. em verdade, porque moradias flutuantes propiciam vôos, naturalmente.

a maldita transitoriedade arranca a golpes essa comoção - e a expõe no ar.
"Mas também, às vezes, a Noite é outra: sozinho, em postura de meditação (será talvez um papel que me atribuo?), penso calmamente no outro, como ele é: suspendo toda interpretação; o desejo continua a vibrar (a obscuridade é transluminosa), mas nada quero possuir; é a noite do sem-proveito, do gasto sutil, invisível: estoy a oscuras: eu estou lá, sentado simples e calmamente no negro interior do amor. "

R. Barthes

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

não dizer, não caber, não explodir, não abrir, não ver, não subir, não encontrar, não manter, não alcançar, não crer, não achar, não estar.

sábado, 12 de janeiro de 2008

não sei por que tenho muita sede quando me largo pra dormir. me reviro na cama um pouco mais, pro sono voltar. mas levanto repetidas vezes, tenho muita sede. diviso as salas escuras, tateio e escuto o comprido da água caindo no copo.
e me veio assim, se não era pra sentir a ausência de um jeito diferente, um ritual que ninguém vê e que o corpo obedece, esperando por um único movimento final.
quis logo abrir a lagarta quando a vi. primeiro, perguntei o que era e soube que era dessas que vira borboleta. ou mariposa, acrescentou. não sei, estou tão distraída que não lembro se a mariposa faz igual à borboleta. estava tão seca e quis cortá-la ao meio pra ver o que tinha dentro.
depois, comi muito açúcar e minha boca estalou. esqueci de tudo.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

chuva de verão despencando cinza e às vezes laranja. um carro da funerária passa e eu penso: um bom dia para se morrer.

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