sábado, 9 de maio de 2009

posso garantir que estava muito lúcido. o redor, não. não pode ser um erro cuspir em gestos abertos, talvez nós não tenhamos tanta sinceridade, muito ocupados em apresentarmos o outro, novo pra cada ocasião. coitado, era sábado à noite. que gelo estamos sábado à noite.

sei que rejeitaria o abraço e só o mantive preso aqui, até hoje.

sábado, 25 de abril de 2009

roupagem nova, bem possível que revolucionária, sedimentando aquela areia que turvava a água. nada de mais, só as estrelinhas de poeira tornando-se fascinantes novamente, o cheiro dos pães voltando ao lar, a dobradiça da janela recém consertada, retorcida por uma cortina onde é bom de se esconder. é o andar leve da bicicleta que se arrisca em ladeiras, o correr que não chega a lugar nenhum - redenção.

é a velha palavra, meu amigo.

sábado, 14 de março de 2009

nem sempre se recordava das suas senhas, mas poderia reencontrá-las na dormência de um quadro inventado, ainda que à noite: e seria justo não bordar estimas para uma realidade a qual ninguém pode acertadamente medir. a isso chamou sobreviver.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

desejava encerrar, como o faz a folhinha do calendário.

sábado, 18 de outubro de 2008

não cairei no assombro como o irmão que irremediavelmente pende para o lado de lá, enquanto o resto da família cheira à algodão-doce. quedarei roendo as unhas presunçosa durante a programação domingueira. exercícios sincronizados às 7h. serei uma descrente devotada aos rituais. consertarei a coluna com um livro na cabeça para me candidatar à miss simpatia 2009. no meu diário, planos de casamento e barrigas cheias. cômodas sem pó, cantos sem teias. afinal, o sol nasce pra todos.

ah, o livre-arbítrio.

domingo, 5 de outubro de 2008

a aparente incongruência residia em fechar-se a aproximações e sentir-se vulnerável a quaisquer, sobretudo se sem metas. mas sabia de seu objeto, o sonho, a partir do qual todos os outros reduziam-se à curiosidade, se tanto. assim que nunca seria serena se pretendesse ser eficaz. o que queria estava à mão vez ou outra. porém, sempre possível, ao menos que percorresse neblina espessa dando-lhe créditos de conteúdo.
sim: coisas, intenções, silêncio.

não: pessoas, gestos, fala.